Aldeia (tabanca) I

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Aspecto geral de uma “tabanca”. A enorme árvore ao fundo, a regorgitar de vida proteje esta gente. Entretanto uma criança bem pequena já ajuda a mãe no “pilão”.

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Trabalho com o “pilão”.

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Outro aspecto da vida na “tabanca”.

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Bem cedo já começa o trabalho… com o “pilão”.

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Pormenor onde se vê o espigueiro em primeiro plano. Ao centro, uma cabra faz pela vida e tenta roubar algo que ficou dentro do “pilão”.

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Não há descanso mesmo para os mais pequenos… mais “pilão”. Sapatos? “Cá tem”.

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As ostras existem em grande abundância nos braços de rio, agarradas ao “tarrafe”. Infelizmente não fazem parte da dieta alimentar mas são usadas como moeda de troca.
(cortesia: http://animals.nationalgeographic.com/)

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Mais duas bajudas pilando ao desafio.

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E as galinhas já estão à espera dos grãos que saltam. Podem estar descansadas… a sua vida irá ser longa pois só irão para a panela em situações muito especiais.

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Uma pausa para dar atenção às crianças. No chão podem ver-se vários utensílios como por exemplo uma pequena vassoura (nome?). A mulher ostenta no braço grandes escarificações que são incisões profundas na pele untadas com negro de fumo e cicatrizadas com cinza e óleo de palma.

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Pendurados alguns rolos de atilhos (nome?).

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A “torpessa”, banco de três pés feito de um bloco.

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Mais um aspecto duma “tabanca” onde se vê a fabricação do óleo de palma vermelho (“den-den”). No chão espalhadas as bagas e no panelão outras já a ferver. A mulher aqui de costas lava o caldeirão.

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Aqui ainda na árvore, estão quatro suculentos e doces frutos do cajueiro vendo-se as castanhas-de-caju (sementes exteriores) que serão comidas depois de torradas. Com alto poder calórico e algumas propriedades químicas, são usados na culinária e noutros preparados.
(cortesia de : http://www.mecol.com.br/)

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Mulher dobrada, na cozinha, prepara talvez a única refeição do dia. Os homens comem sempre separados das mulheres.

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Sentada, esta “bajuda” aguarda calmamente que o seu penteado, que pode demorar horas, esteja acabado.
As mulheres penteiam-se umas às outras. As “bajudas” treinam a pentear os mais pequenos.
(foto gentilmente enviada por: César Dias, ex Furriel Mil. do B.C. 2885, Mansoa 69/71)

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Separando a farinha da casca. No interior desta tabanca não corre uma aragem mas as “sombras” espreitam em redor.
(foto gentilmente enviada por: César Dias, ex Furriel Mil. do B.C. 2885, Mansoa 69/71)

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O ferreiro. Com o pé acciona o fole… com as mãos e muita imaginação transforma tudo o que já foi transformado. Nestas paragens o metal escasseia!
(foto gentilmente enviada por: César Dias, ex Furriel Mil. do B.C. 2885, Mansoa 69/71)

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Contrariamente a todas as outras anteriores, esta é uma imagem de uma tabanca de guerrilheiros, completamente dissimulada na mata. A sua integração com a natureza é total, não se vendo nem do ar nem no chão a escassos metros. Pode ver-se aqui em primeiro plano 4 reservatórios de água para beber e mais atrás um grande baga-baga que pode servir para protecção numa retirada estratégica, o que deve ter acontecido pois ficou esquecida (encostada a uma árvore, à esquerda em primeiro plano) uma catana, utensílio valioso e imprescindível na mata.
(foto gentilmente enviada por: César Dias, ex Furriel Mil. do B.C. 2885, Mansoa 69/71)

Tudo vestido a preceito para um “ronco”. No primeiro plano, este homem exibe as suas duas mulheres.
(foto gentilmente enviada por: Jorge Picado, ex Cap Mil, CCaç 2589 e CCart 2732, 70/72)

Quem não se lembra deles?
O jagudi (necrosyrtes monachus), sempre em bandos, este personagem atrevido estava sempre presente na tabanca à espera das sobras…e não só pois eram grandes larápios.
(foto cortesia de wikimedia.org)

O “homem grande”, de costas, dá as ordens. As mulheres escutam.

Sena do quotidiano. O pilão é bem maior que a “bajuda”. Em primeiro plano à direita, está um recipiente tapado já com o grão moído não vá aparecer algum “curioso” de bico afiado.

Sem fósforos ou isqueiros, o rapaz sentado tenta fazer crescer o fogo que foi iniciado por atrito de dois paus. Uma técnica ancestral aparentemente de fácil execução mas que requer a escolha certa de todos os materiais e muita paciência.

Na nascente as bajudas lavam a loiça feita de cabaças e latas velhas. Tarefa por vezes arriscada devido à distância a que local se situava.

A lenha – único material combustível – era necessário ir apanhar bem longe. Aqui uma bajuda tem a tarefa de a rachar.

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A procura e recolha da lenha – tarefa penosa e com muitos perigos – é também feita pelas mulheres.
(foto gentilmente enviada por Mário Trindade, ex-Operador Cripto, CMI/Cumeré-Guiné 1971/1973)

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Pormenor de um rudimentar mercado.
(foto gentilmente enviada por Mário Trindade, ex-Operador Cripto, CMI/Cumeré-Guiné 1971/1973)

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Coser à máquina é tarefa dos homens.
(foto gentilmente enviada por Mário Trindade, ex-Operador Cripto, CMI/Cumeré-Guiné 1971/1973)

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Tocador de “bombolom” em pleno batuque.
(foto gentilmente enviada por Mário Trindade, ex-Operador Cripto, CMI/Cumeré-Guiné 1971/1973)

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Oficina de sandálias. (fotografado circa 1960)
(adaptação de foto, cortesia do Instituto de Investigação Cientifica Tropical, Arquivo Histórico Ultramarino, http://actd.iict.pt/)

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A gozar a sombra. (fotografado circa 1960)
(adaptação de foto, cortesia do Instituto de Investigação Cientifica Tropical, Arquivo Histórico Ultramarino, http://actd.iict.pt/)

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Venda de cestos. (fotografado circa 1960)
(adaptação de foto, cortesia do Instituto de Investigação Cientifica Tropical, Arquivo Histórico Ultramarino, http://actd.iict.pt/)

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Vista aérea de uma pequena “tabanca”. (fotografado circa 1960)
(adaptação de foto, cortesia do Instituto de Investigação Cientifica Tropical, Arquivo Histórico Ultramarino, http://actd.iict.pt/)

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19 Respostas to “Aldeia (tabanca) I”

  1. Fui 1º cabo condutor em Galomaro entre 1972 e 1974.

    As fotos estão lindas.

  2. maria gaspar Says:

    Uma bela Galeria de imagens!
    Isto promete…
    Parabéns.
    mg

  3. Luis Jales Says:

    Meu Caro Henrique
    Eu que sou da Tabanca de Gadamael quero deixar um grande abraço de
    camaradagem, de parabéns e de admiração.
    Em breve mandarei colaboração. Bem hajas.

    Luis Jales

  4. Banco de três pés…muito usado nas tabancas…É a celebre TORPESSA muito evocado e referênciado na música e na poesia popular guineense…

  5. Luis Manuel Rainha - Ex-Comandante do Grupo de Comandos "Os Centuriões" Says:

    24/09/2008

    Tudo o que diga respeito à nossa Guiné é lindo, é belo e faz recordar coisas boas e más; mas felizmente mais coisas boas que más.

  6. Santos Oliveira Says:

    Camarada
    Entendo ter aqui muito para explorar e ver (sou demasiado incipiente nas coisas da Net).
    Vi, gostei e fico com alguma pena de duas coisas: a primeira deve conseguir-se remediar, que é o, ou os lugares onde foram feitas as fotos (lindas!!!). O segundo ponto, amigo, infelizmente não se pode incluir aqui: os sons e os odores daquela Guiné onde vivemos, sofremos e que amamos.
    Vou tentar continuar a exploração e direi, passo a passo, o que for sentindo.
    Acho que nos encontramos já ligados num outro lugar: a Tabanca Grande.
    Quero dar-te os Parabéns por este teu trabalho.
    Santos Oliveira
    Sarg.Mil.APesadas/Ranger do
    extinto P.de Mort.912

  7. Mário Fitas Says:

    Não sei se foi o pensamento do fotógrafo. Mas elas têm o condão de animar os espíritos após longo adormecimento de quarenta anos. Vivi na Tabanca, comi arroz pilado por uma mulher com o filho às costas.
    Dancei nos Roncos e bebi cana nos Choros.
    Maravilhoso! Voltarei.

    Mário Fitas
    Fur. Mil. de Oper. Especiais C.CAÇ 763 CUFAR

  8. José Dinis Says:

    Caro Henrique
    Obrigado pelo convite para apreciar o blogue. Comecei por ver esta sequência de fotos tabancais. Tenho passado por vários países da África sub-sahariana e garanto, que foi na Guiné, que encontrei as melhores aldeias. A qualidade das construções e o ambiente são inolvodáveis. Mas, o deserto avança, mais indelével que os “reordenamentos” estratégicos, mas absurdos. Em Copá, entre outras localidades, em virtude da seca pronunciada, já não se fazem tabancas cónicas, com cobertura de capim, porque não se desenvolve o capim alto, como o conheci nos idos de 70. Essas fotografias são documentos. A construção tradicional, mantinha a privacidade, luz suficiente, e frescura ou aquecimento nas alterações do estado do tempo. Quero ver tudo. Um abraço.
    José Dinis

  9. Vítor Salvador Says:

    Caro Companheiro

    Apreciei o blog, através do m/amigo José Dinis.

    Está espectacular, parabéns, continua.

    Vítor Salvador
    Ex-Furriel Miliciano Enfermeiro-C.Caç.2679 (Piche-Bajocunda)

  10. José Inácio Says:

    Caríssimo Henrique
    Obrigado por colocares à nossa disposição tão magnífico trabalho. Estive no Cumeré, tirei manga de fotos durante a minha comissão, mas , por razão adversa, poucas me restam. Deste-me a possibilidde de rever algumas imagens daquele rincon que sómente tinha gravadas na retina.
    Gostaria, um dia de lá voltar.
    Bem hajas por ese Blog.
    Cumprimentos
    José Inácio
    Ex. 1º Cabo Radiot. CMI Cumeré 72/74

  11. orlando reis Says:

    Estive em Galomaro entre 72 e 74 como rádio telegrafista gostava de saber notícias dos camaradas mas recordo-me de poucos nomes. Lembro do Zé Manel, do Marco, do Garcia, do Álvaro. Mais: do cripto Luís Arrepia, a… também rádio telegrafista Álvaro e do Filipe rádio montador

    • Rui Marques Says:

      Também estive em Galomaro entre 72 e 74 (ex-furriel mil. de transmissões Marques)…. tenho poucas memórias mas gostava de contactar com malta amiga, e gostava de ter o contacto do ex-furriel cripto – Calado.

  12. Guilherme de Quadra Says:

    Olá!
    Parabéns pelas fotos!
    Trabalho na UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense, e estamos repensando o Museu Universitário. Gostaríamos de saber se é possível haver uma contribuição, ou parceria, caso usássemos alguma foto do seu acervo, mas precisamos dela em uma qualidade melhor para ser impressa e usada em um biombo onde estão expostos dois pilões.
    Fico no aguardo do contato para conversarmos melhor.
    Abs,

  13. Daniele Ellery Says:

    Fiquei muito emocionada com as fotos e os depoimentos. Pesquiso os estudantes guineenses e cabo-verdianos que foram formados no Brasil. Estive nos dois países duas vezes. A Guiné é emocionante, tenho muitos bons amigos lá.
    Parabéns pelo trabalho.
    Abraço, Daniele.

  14. domingos barroco carvalho Says:

    Lindas fotos das gentes da Guiné.
    Parabéns a quem teve a iniciativa.
    Furriel Foto Cine 70-72
    Carvalho

  15. Joaquim Moita da Fonseca Says:

    Como é lindo todas estas fotos !!! muitos parabéns aos autores. É sempre bom reviver os grandes momentos que tivemos, como camaradagem, onde encontramos grandes amigos Portugueses e Guinienses. Bem Hajam a todos pelos vossos comentários, é emocionante….Um Abraço.

  16. manuel moura Says:

    Manuel Moura – ex fur AP em Cancolim – 2ª c bat 4518 com a ccs em Galomaro de Jan a Set 74.
    Vi com alguma emoção as fotos que me fez reviver os meus tempos de Guiné.

  17. […] que emigre, com três destinos opcionais: um musseque luandense, uma favela do Rio ou uma tabanca entre Bissau e o […]

  18. maria Flor Says:

    Parabéns pelo seu olhar. Pergunto-me pode alguém num clima de guerra, de medo e sobrevivência, olhar para o outro de quem se desconfia, com tanta beleza e dignidade. Generosidade é igualmente devolver ao outro memórias que lhe são identitárias. Obrigada pela sua lição de humanidade.

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