Guerra

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Foi assim que tudo começou. Para tráz ficaram os sonhos… rumo à incerteza.

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Coluna da tropa serpenteia pelos campos de arroz caminhando por cima de um dique (“perike”) em direcção ao objectivo, com as suas G3 ao ombro.

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O aparente sossego pode trazer surpresas…os guerrilheiros podem estar algures à espera desta coluna. O cantar da “costureirinha” (pistola metralhadora PPSH) pode iniciar “manga di chocolate”.

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Esta coluna corre grande risco ao atravessar a “bolanha”. A exposição é total. A aproximação da mata cerrada pode ser “zona de morte” dos guerrilheiros aí emboscados. Os eventuais abrigos não existem!

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Esta coluna auto segue lentamente ao ritmo dos “picadores”, e é sempre um alvo fácil e preferencial dos guerrilheiros que por vezes estão emboscados tão perto que a luta corpo a corpo pode acontecer. As minas escondidas podem passar despercebidas. Os condutores esforçam-se por pisar o rasto do carro da frente. A tensão é grande. Há que ir e voltar.
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Algures no interior da mata um guerrilheiro é condecorado.
(foto cortesia de “O Jornal”)

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Um grupo de guerrilheiros atravessa a “bolanha” com as suas armas típicas. O da frente leva a muito conhecida “costureirinha” cuja alcunha se deve ao som ritmado dos seus disparos. Na realidade trava-se da PPSH-41, calibre 7,62, tambor com 71 munições e 900 tiros por minuto.
(foto cortesia da Fundação Mário Soares em http://www.fmsoares.pt/aeb/fotografias/)

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Este grupo de guerrilheiros ostenta o seu equipamento e arsenal militar.
(foto cortesia de Bara István em http://www.fotobara.hu/galeria.htm)

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Cerimónia entre os guerrilheiros do PAICG algures na mata.
(foto cortesia da Fundação Mário Soares em http://www.fmsoares.pt/aeb/fotografias/)

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Entretanto, bem longe, mais uma “cerimónia” do último adeus para muitos.

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Um grupo de guerrilheiros atravessa um rio de canoa.
(foto cortesia no livro “Guiné-Bissau e Cabo Verde, uma luta, um partido, dois países” de Aristides Pereira)

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Coluna de guerrilheiros em plena mata cerrada vendo-se algumas das suas armas caratcterísticas. O guerrilheiro da frente transporta uma AK-47, Kalashnikova.
(foto cortesia de Bara István em http://www.fotobara.hu/galeria.htm)

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Passado um pequeno obstáculo, esta coluna em bicha de pirilau vai perigosamente atravessando uma clareira junto a uma mata impenetrável e em breve o matraquear da kalash soará sobre as suas cabeças. O morteiro 60, aqui ao ombro, irá mais uma vez mostrar-se ineficaz na resposta ao ataque dos guerrilheiros.

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Um “heli” faz uma evacuação. Ao fundo, mas bem perto, vê-se o fumo dos rebentamentos que persistem. O “heli” tem que sair rápido (“goss, goss”).

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A espera, a ansiedade, o medo. Mas tudo foi esquecido ao ouvir-se o primeiro tiro. A visibilidade era nula mas todavia as palavras de ordem dos antagonistas eram perfeitamente audíveis.

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Quando o azar acontece para uns… é “ronco” para outros. O Deus da Guerra não pode agradar a todos.

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O sol vai agora subindo no horizonte, mas o calor já aperta e a sede também. Devagar esta coluna que passou a noite emboscada, a ser pasto dos mosquitos, avança rente a uma “tabanca” destruída por um bombardeamento. Nem o enorme “poilão” agora também chamuscado valeu aos seus habitantes. Onde estaria o seu Irã?

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Lentamente a coluna vai afrouxando o andamento até que pára. Com cuidado todos se deitam esperando não ser mesmo em cima de algum carreiro de formigas. A pequena clareira mesmo ao lado transmite alguma segurança mas por cima da cabeça um enorme aracnídeo parecia mau presságio… o “kodak” disparou… e os guerrilheiros também.

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Finalmente a guerra acabou! Os antigos antagonistas encontram-se para festejar.
(foto gentilmente enviada por: In illo tempore, Alferes Mil. Morais – CART 6254 – Companhia independente, na Guiné de Mar.1973 a Ago.1974)

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Uma pausa de pouca dura para engolir à força a intragável ração de combate. Não foi certamente por acaso que se encostaram a um embondeiro e a um baga baga. Dois “bunkers” inexpugnávies para quem os detiver.
(foto gentilmente enviada por: César Dias, ex Furriel Mil. do B.C. 2885, Mansoa 69/71)

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O seu ruído no silêncio da mata trazia-nos sensações antagónicas – segurança e desgraça.
(foto gentilmente enviada por: César Dias, ex Furriel Mil. do B.C. 2885, Mansoa 69/71)

20 Respostas to “Guerra”

  1. Joaquim Coelho Says:

    Bem haja, companheiro.
    Tudo quanto contribua para mostrar as vivências na guerra serve para mostrar ao mundo o esforço duma geração de valentes.
    Quantos mais formos nesta missão, mais dignificaremos os combatentes que deram muito por Portugal. Jamais poderemos esquecer os companheiros que “ficaram para trás”, abandonados pelos traidores à Pátria e, hoje, acantonados na manjedoura da política.
    Saudações.

  2. José Morais Says:

    Como elo de uma torrente/corrente de informação que parece começar a engrossar, e que nos permite alimentar uma reflexão sobre o que foi a Guerra Colonial, reflexão em parte por fazer, chegou-me «por acaso» uma mensagem de Henrique de Sacadura Cabral e o endereço deste sítio.
    Em boa hora isso aconteceu…

    Todos quantos passaram pela Guiné-Bissau hão-de, certamente, rever-se nas magníficas imagens que o seu «olho de fotógrafo» e a sua apurada sensibilidade tão bem souberam captar!
    Essas raras qualidades, bem como a «simplicidade», bom gosto e elegância deste sítio, imediatamente chamaram a minha atenção e me cativaram!

    Mostrando guerra com todo o seu cortejo de horrores mais ou menos explícitos, que guerra houve sem dúvida!, as imagens aqui partilhadas pelo Henrique mostram também beleza e dignidade, que é aquilo que eu mais preservo na minha memória desses já longínquos dias…

    Gostaria de deixar uma palavra sobre a mensagem do Joaquim Coelho.
    Tendo passado pela Guiné em «comissão de serviço», não me considero de modo nenhum parte de uma «geração de valentes», nem «defensor da pátria». O que não significa, de todo, desrespeito pelos que tombaram nessa guerra. A minha «missão» na «quadrícula», enquanto responsável por um grupo de cerca de 25 homens, teve sempre como pano de fundo o que estava verdadeiramente em jogo nesse guerra: a sua sem-razão de ser, bem como o anacronismo do regime que a movia e a profunda convicção do direito dos povos daquela terra à sua autodeterminação. Mais do que «valente», «herói» ou «defensor da pátria», senti-me responsável por dar o meu pequeno contributo a essa grande causa. Com 19 meses de Guiné, o 25 de Abril veio dar pleno sentido à convicção e à Esperança que me alimentavam…

    José Morais

  3. Júlio César Ferreira Says:

    Os meus parabéns por esta fantástica galeria.
    Quantas recordações isto trouxe à minha memória!
    Como lamento não ter um acervo destes…como lamento não ter uma máquina na altura própria. Hoje tenho uma, digital, de 10 mp. Que falta me fez uma naquele tempo, por simples que fosse, para registar o dia a dia daquele povo. Os meus parabéns novamente e muito obrigado por partilhar connosco toda esta riqueza.

    Bom ano de 2008

  4. José Morais Says:

    Não sei quantas vezes regressei, já, a esta secção para me deter particularmente na imagem que a encabeça! É uma imagem feliz
    pela riquíssima polissemia que encerra.
    A ponte Salazar, um dos símbolos da ditadura, ainda em fase de acabamento, mais parece já uma ruína a prefigurar essa outra ruína à qual nos conduziam e para a qual se caminhava a passos largos lá longe!…
    A bandeira e o fragmento da chaminé do navio carregado de tropas, esse outro símbolo a contracenar com o primeiro, a expressão dramática do fluxo que, em contra-corrente da História, teimava em alimentar a utopia do «orgulhosamente sós» e em aprofundar o desastre da alienação de um povo de si próprio!

    Lisboa, 07.01.2008
    José Morais

  5. maria gaspar Says:

    Interessante! O texto de hoje do José Morais diz em poucas palavras,
    o muito que se pode “ler” do que foi essa fase na História das Nossas Vidas… Uns aquém outros além.

    mg

  6. Mbana Ntchigna Says:

    Nesta guerra, morreu meu tio, e vários dos meus irmão e primos.
    Continuo a perguntar aos portugueses que participaram na invasão da Guiné-Bissau. O que foi que fizemos a Portugal?
    Vocês vão restituir um dia a Guiné? Devolver o que roubaram? Vocês se sentem como heróis ou sentem vergonha de preconceito e racismo que carregam para fazer o que fizeram?
    Eu me chamo M’bana N’tchigna, filho dos pais e tio que vocês mataram injustamente!

    • renato moraes Says:

      Amigo, o mundo é cheio de injustiça e covardia. As guerras e as invasões das potências aos países pobres, só traz desgraça e sofrimento, esse é o fato.
      Fica com Deus, paz na tua vida e no quotidiano de tua Pátria, é o que te desejo.

  7. Carranço Says:

    Belas imagens carregadas de história e simbolismo.
    Anos negros para Portugal e para a Guiné. Tanto sofrimento de ambas as comunidades apenas por teimosia e falta de visão política, tanto de Salazar como (e principalmente) de Marcelo Caetano.
    Perdi amigos e vi outros ficarem feridos. Vi guerrilheiros e população serem abatidos ou feridos.
    Choro os meus camaradas e os guineenses que defendiam a sua terra e as suas famílias. Nós éramos opressores e eles vítimas. Entre outras coisas há uma data que nos une: 25 de Abril de 1974.
    Comemoramos com pompa e circunstância o 1º de Dezembro de 1640 por nos termos livrado do jugo espanhol. Foram “apenas” 60 anos. Portugal esteve na Guiné quase 500 anos.
    Um primo meu morreu em combate em 1967 no aquartelamento de K-3, Farim. Recordo a dor que a sua morte causou em toda a família.
    Que dizer do Mbana Ntchigna que atrás escreve e que diz que lhe matámos os pais, irmãos, primos e tio?
    A minha companhia de “Comandos” teve 11 mortos e 64 feridos, num total de 170 efectivos.
    Todos os anos se comemora o Dia do Combatente o que até acho bem, tendo em conta que isso significa um tributo da nação aos jovens que sem alternativa tinham de ir combater em nome do império português. O que condeno são as manifestações de ex-combatentes que colocam boina militar, insígnias e até condecorações, ficam de peito enfunado orgulhosos dos seus feitos bélicos e das marcas que fizeram na coronha da G-3 por cada “turra” abatido.
    Nunca sonhei com a Guiné e muito menos tive pesadelos. Tenho a consciência tranquila.
    Sou patriota, amo o meu país e limitei-me a cumprir o meu dever (até tive um louvor pelo meu empenho e eficácia), mas não me orgulho e muito menos comemoro os dois anos de inferno que passei na Guiné, quando isso significa também a humilhação e o sofrimento de um povo que aprendi a respeitar e admirar ainda no decorrer da guerra.
    Preocupa-me tanto o ódio latente do Mbana Ntchigna pelo que se lê nestes blogs da guerra colonial que abrem as suas feridas antigas, como as bravatas e feitos dos “heróis” nacionais.
    34 anos é tempo suficiente para sarar estas feridas. Penso que só quando esta geração de ex-combatentes, onde também me incluo, se finar é que este tema vai entrar em lume brando e acabar por esfriar.
    Lembram-se da batalha de La Lys em que em apenas 4 horas, 7.500 militares expedicionários portugueses morreram sobre a metralha dos alemães? Acelera o ritmo cardíaco lembrar isto? É isso também que vai acontecer à Guerra Colonial ou Guerra de Libertação, conforme o ângulo de abordagem.
    Viva Portugal !!
    Viva a Guiné !!

  8. Mbana Ntchigna, nestes 34 anos tens sido mais feliz? Tens a ceteza que foram os portugueses que invadiram a Guiné? Quem matava as populações e fugia ? Quem inciou a guerra? Quem matou o T/C Brito e abateu o Fiat G-91? Quem me devolve os amigos que morreram na Guiné? Espero bem que estejas agora a viver numa qualquer cidade portuguesa, porque a Guiné já não existe.
    Um abraço

  9. José Carioca Says:

    Estou inteiramente de acordo que existam estes blogs onde podemos recordar a história recente, mas, não sendo os acontecimentos mais agradáveis em todo o planeta, nós temos a sensibilidade e a coragem de falar dela respeitando-nos uns aos outros. Gostaria de dizer à Mbana Ntchigna que estive no Simpósio Internacional de Guiledje na Guiné-Bissau em Março deste ano. Fui recebido de braços abertos pelos (muitos) combatentes pela liberdade da Pátria (PAIGC), inclusivamente o Exmo. Sr. Presidente João Bernardo Vieira, que no seu gabinete presidencial disse a mim e a mais uma dezena de ex-combatentes Portugueses que o seu povo não combatia o povo Português mas sim o regime colonialista, também nós não estávamos naquela guerra por gosto mas sim porque éramos obrigados, também o povo Português estava insatisfeito com o regime e protagonizou o 25 de Abril. Muitos são hoje os ex-combatentes (e não só) que estão a ajudar materialmente o povo da Guiné-Bissau, a Mbana precisa também de visitar o blog do “Luís Graça e Camaradas da Guiné”. Por último só lhe quero lembrar que o racismo não se combate com posturas racistas, nem meta toda a gente na mesma bitola. Para todos Portuguses e Guineenses grande abraço de amizade.

  10. José Dinis Says:

    Preocupa-me o comentário assinado por Mbana, porque, suspeito, não será um caso isolado. Quero dizer-lhe, e a todos em geral, que não devemos ser precipitados na análise histórica. Lá porque os espanhóis e os franceses invadiram, mataram e usurparam em Portugal, não posso considerá-los com ódio, gerando ódios recíprocos, nem tecer considerações ofensivas e injustas. Também é da história, que os povos, frequentemente, se insubordinam, e depõem os governantes, como em Portugal, mais por cansaço, do que por consciência política. É possível que na Guiné-Bissau, para além das élites que se insubordinam com os resultados conhecidos, de muitos mortos e pouca substância, também os povos se envolvam em movimentos de consolidação democrática, resolvendo os problemas históricos entre étnias, projectando-se para um futuro feliz.
    Porque o mais importante, não é alimentar ódios cegos, sobre circunstâncias mal conhecidas, mas consolidar a democracia, controlando-lhe o rigor.
    Afinal, todos temos muito que aprender.

  11. Joel Viola Pacheco Says:

    A juventude portuguesa nos anos sessenta e setenta, foi enviada para uma guerra sem razão e com a qual não concordava, mas foi defender uma pátria uma bandeira . Uma vez no terreno, defendeu e protegeu as populações, possibilitando, cuidados médicos e medicamentos, construindo novas tabancas, distribuía comida principalmente pelas crianças. Hoje Portugal é quem mais ajuda a Guiné Bissau. E passados mais de trinta anos, vejo muito ódio nas palavras de Mbana Ntchigna, se ela chora os familiares, também eu choro os meus 3 camaradas da CCAV3568 que lá morreram.

  12. Manuel Moita Bravo Says:

    Boa tarde!!!
    Venho por este meio tentar procurar alguns amigos da época em que cumpri serviço militar em Angola no Batalhão de Caçadores nº 13 em Vila Salazar no ano de 1969 a 1971. Agradecia que se alguém vir esta mensagem e conhecer alguém entrasse em contacto. Desde já muito obrigado.

    • Paulo Vieira Says:

      Boa tarde,

      O meu pai esteve no seguinte:

      Batalhão de Caçadores Nº.13 (SALAZAR)
      Companhia de Caçadores Nº.313 de 1970 a 1972 (CAMABATELA)

      Se quiser contactar, envie um e-mail para ovpaulo@gmail.com ou ligue 919443436

      Obrigado!!

  13. A ignorância e a iliteracia de alguns comentadores é a mãe de todas as trapalhadas e confusões!

    Então não é que gente sabe que quem matou o Nino Vieira foram… os portugueses!

    Então não é que gente sabe que quem matou o Ansumane Mané foram… os portugueses!

    Então não é que gente sabe que quem matou vários ministros e altos representantes no pós 25A74, na Guiné, foram… os portugueses!

    Então não é que gente sabe que o centro do narco-tráfico mundial se radicou na Guiné é culpa… dos portugueses!

    ENFIM PODÍAMOS FICAR AQUI TODO O DIA A DESFILAR AS CULPAS…

    MR

  14. Quando muito os portugueses só podiam era ter roubado na Guiné, que não Guiné-Bissau, que só ganhou esse nome a partir de 9 de Setembro de 1974.

    Depois os portugueses foram tão maus, tau mauzinhos… que deixaram na Guiné centenas de Amigos, que os acolhem com a sua melhor satisfação e alegria sempre que lá voltamos.

    Há muitos anos, que muitos portugueses têm ajudado, via ONGs, como podem e sabem, em várias frentes mais necessitadas, como por exemplo com a abertura de poços.

    Ver em:

    http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/ser%20solid%C3%A1rio

    Guiné 63/774 – P10210: Ser solidário (134): A água potável já chegou a Cautchinké (José Teixeira)

    Já dei demais para este peditório.

    MR

  15. João António Ferreira Says:

    Gostaria de dar aqui uma resposta a M’bana N’tchigna mas antes disso vou fazer uma pequena introdução.
    Cumpri o serviço militar OBRIGATÓRIO na Guiné, em ambiente 100% de guerra, em Bula (norte do território) entre Julho de 1972 e Agosto de 1974, integrado no Batalhão de Cavalaria 8320/72. Inicialmente tive dificuldade de adaptar-me àquela terra, onde o clima é terrível, um calor enorme e as doenças são mais que muitas. Hoje considero a Guiné também um pouco minha pois foram mais de dois anos que estive lá e não destruí absolutamente nada. De uma maneira geral as pessoas são muito bondosas, muito acolhedoras. Quis ensinar alguma população a ler mas ninguém se mostrou disponível para comparecer na escola. TODAS as guerras são injustas, sempre soube disso mas, como já alguém disse, nós éramos obrigados a fazê-la. A revolução do 25 de Abril, embora inacabada, foi feita por militares que possuindo armas eram os únicos que a podiam fazer. Eles, pela experiência de guerra que possuiam, sabiam, como a maior parte da população portuguesa que aquela guerra não fazia sentido e por isso fizeram a revolução com o apoio do povo. Se quer pedir explicações a alguém pela morte de familiares, agora é tarde porque os responsáveis pela guerra já faleceram. É a esses a quem devia pedir responsabilidades, não aos que foram obrigados a alinhar. No dia 4 de novembro de 1972, dois mecânicos da minha companhia dirigiam-se de Bula para Binar, para fazerem algum serviço nesta povoação. Aquele trajecto era sempre feito com um forte dispositivo militar, com carros de combate Panhards. Naquele dia a coluna não quis esperar pela escolta e caíram numa emboscada montada pelo PAIGC na curva que a estrada faz junto à mata de Choquemone. O dois mecânicos, entre outros elementos, sem qualquer necessidade, foram bárbaramente assassinados. Estavam até desarmados, embora fardados. A quem é que a família vai pedir deles vai pedir explicações? Podia contar-lhe outros casos semelhantes que presenciei mas não vale a pena! Entenda pelo menos que a tropa portuguesa quando capturava guerrilheiros NUNCA os matava, eram feitos prisioneiros!
    Em 2007, 35 anos depois, regressei à Guiné como turista, para “matar saudades” de tempos difíceis que tinha passado lá. Cheguei a Bissau já passava da meia noite. A caminho do hotel verifiquei que não havia iluminação na estrada e a cidade estava às escuras. Não há iluminação nocturna. No dia seguinte, dei uma volta por Bissau e senti uma profunda tristeza ao ver tanta miséria, parecia, em ponto grande, a Cova da Moura na Amadora! As estradas todas esburacadas. Fui a Bula ver o que restava do Quartel, só vi miséria. Um indivíduo militar, com divisas de alferes olhava para mim abrindo e fechando a boca a pedir-me comida. Um elemento da população cm quem estive a falar perguntou-me quando é que os portugueses voltava à Guiné?! Achei imensa piada. Pensei de imediato “então foi para isto que quiseram a independência?!…..” Ao contrário do que afirma quando fala em roubo feito pelos portugueses, Portugal não podia ter grande interesse colonial naquela terra pois embora bonita é muito pobre! Agora a pobreza aumentou largamente. A incompetência e a a corrupção ainda a empobreceram mais. Porquê tanto sofrimento, tantos mortos pela guerra?
    Não teria sido melhor terem feito um acordo com Portugal, imediatamente a seguir à independência?

  16. somos todos cabralistas

  17. ONDE PARA O PESSOAL DA COMP. CAÇ.1422 QUE ESTEVE NO K3

  18. EU ESTIVE NA ARTILHARIA NA BAC N 1EM 68 70

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