Excisão raparigas (fanado)

“Deslocação das meninas de Canjadude, para (sacrifício) o altar dos rituais na floresta”
Origem em: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2010/05/guine-6374-p6320-jose-corceiro-na-ccac.html
Foto e texto gentilmente cedidos por, José Corceiro, ex-1.º Cabo TRMS, CCaç 5 – Gatos Pretos , Canjadude, 1969/71

“Deslocação das meninas de Canjadude, para (sacrifício) o altar dos rituais na floresta”
Origem em: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2010/05/guine-6374-p6320-jose-corceiro-na-ccac.html
Foto e texto gentilmente cedidos por, José Corceiro, ex-1.º Cabo TRMS, CCaç 5 – Gatos Pretos , Canjadude, 1969/71

“Deslocação das meninas de Canjadude, para (sacrifício) o altar dos rituais na floresta”
Origem em: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2010/05/guine-6374-p6320-jose-corceiro-na-ccac.html
Foto e texto gentilmente cedidos por, José Corceiro, ex-1.º Cabo TRMS, CCaç 5 – Gatos Pretos , Canjadude, 1969/71

“Preparação das meninas de Canjadude para o “Fanado” (Excisão feminina)”
Origem em: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2010/05/guine-6374-p6320-jose-corceiro-na-ccac.html
Foto e texto gentilmente cedidos por, José Corceiro, ex-1.º Cabo TRMS, CCaç 5 – Gatos Pretos , Canjadude, 1969/71

“Preparação das meninas de Canjadude para o “Fanado” (Excisão Feminina)”
Origem em: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2010/05/guine-6374-p6320-jose-corceiro-na-ccac.html
Foto e texto gentilmente cedidos por, José Corceiro, ex-1.º Cabo TRMS, CCaç 5 – Gatos Pretos , Canjadude, 1969/71

fanadobajuda01.jpg

Bajudas no exterior da palhota de isolamento depois da excisão. O “fanado” é feito a todas na mesma altura, uma por uma com as outras a ver. Se alguma chora, o que é considerado vergonha, as outras cantam. Quem por qualquer motivo excepcional não for “fanado”, mesmo já velho, não pode ir aos enterros.
Existem raças em que o “fanado” é feito muito cedo, com a criança ainda a mamar, por uma “mulher grande”.

fanadobajuda02.jpg

Passeio pela tabanca acompanhadas por uma “mulher grande”. Trazem pendurado à cintura um grande berloque vermelho.
O “fanado” das raparigas é por volta dos seis anos com a excisão do clitóris – “cindiré”.
Quem não for “fanado” não pode matar nada para os outros comerem. Quem corta o clitóris é uma mulher.

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8 Respostas to “Excisão raparigas (fanado)”

  1. Joao G Bonifacio Says:

    Caro Amigo;
    Já se passou algum tempo e ainda não tinha tido tempo para ver as fotos e ler os comentários dos muitos amigos e ex-camaradas que andaram e viveram naquela terra tão louca como fascinante. Muito obrigado e parabéns pelo magnífico trabalho. Hoje e por que estamos perto do Natal, aproveito para enviar a si, família e todos os ex-combatentes ainda connosco, um Natal Feliz.
    Agora e em relação ao assunto deste tema. Feliz ou infelizmente, estive sempre muito perto desta situação, e ainda me custa aceitar que nada se fez para evitar tanta injustiça para com as raparigas, mesmo que para elas fosse uma tradição e uma rotina anual. Eu ouvia os sons da dor, e vi-as partir juntas para o mato. Passados dias voltavam, mas sempre vi que nem todas tinham suportado o sacrifício. As sobreviventes entravam no quartel e com os guizos na cabeça, se ajoelhavam a meus pés, para me saudar e pedir a minha ajuda para a festa que à noite iria acontecer na Tabanca. Sempre vivi estes momentos com muita emoção, para não falar da honra que sentia em ser reconhecido por estas jovens, que nunca iriam sentir o prazer do amor, mas nem por isso deixariam de ser mães de criancas, que pelas dificuldades, as nossas tropas e eu em particular, sempre tentamos fazer o melhor. Para a festa das raparigas eu dava vinho, arroz e conservas que elas adoravam. Devo dizer que no vinho eu misturava um pouco de água, pois se não fosse assim “a água de Lisboa” pregava-lhes a partida. Quando as danças começavam, eu dava uma vista de olhos e era como se estivesse eu próprio no meio de tudo o que via. Apesar de tudo, assim era todos os anos e assim ainda é nos dias que passamos, na Guiné ou até em Portugal.

    Um grande abraço e obrigado pela oportunidade.

    João G. Bonifácio
    ex-furriel Mil do SAM
    CC2402 Guiné 1968/70

  2. Maria Antonieta Says:

    Ao ver este blog que saudades que sinto da Guiné onde passei 3 anos com o meu pai tropa em comissão de serviço.
    Que saudades e como gostaria de voltar.
    Como também compreendo o artigo que publicou sobre este ritual das raparigas.
    Imagino a revolta que sentia ao vê-las ir para essa cerimónia.
    Mas é assim.
    E sabe o que me espantava?
    É que estas mulheres nunca sentiriam o prazer do amor, como disse mas continuavam a rir, a ser namoradeiras e a serem mães.
    Um bom exemplo para muitas europeias que reclamam de tudo e de nada.
    Ao autor deste blog aqui deixo o meu muito obrigado.
    Guiné…. que saudade.
    Fui aluna do Honório Barreto, viajei na carrinha dos oficiais que ia de Bissau para o Q.G., aliás eu morava na estrada do Q.G. (junto à taberna do Abel), bebi coca-cola no bar da Associação Comercial, comi mancarra na explanada da Berta, fiz as noites de Natal no Hospital Militar com o meu pai. Vi tabancas como as das fotos e namoriquei pelas bolanhas perto de Bissau.
    Passeei tantas noites pelas ruas do Q.G. e viajei nos unimogs, o que naquela altura era proibido.
    Olhava de soslaio os alferes milicianos, alguns muito bonitos que povoavam na altura os sonhos de todas nós.
    Como o tempo passa……e o que me fez recordar este blog.
    Bons tempos….de juventude .
    Éramos felizes e não sabíamos.
    O meu pai já partiu mas era ele o meu grande companheiro.
    Os dois visitávamos o mercado dos negros ao pé da nossa casa e comprávamos alguidares de ostras que comíamos na nossa varanda.
    Muito de mim ficou na Guiné.
    Um até sempre

  3. Joao G. Bonifacio Says:

    De vez em quando visito os diversos blogs dos camaradas que prestaram o seu serviço militar na Guiné-Bissau e noutras terras ultramarinas, pois assim se chamavam na época.

    A Maria Antonieta tem efectivamente uma parte da Guiné, como todos nos que por lá tentámos o melhor para ajudar as populações, mesmo que isso não fosse o objectivo da tal Guerra. Também eu sinto saudades de visitar a Guiné, mostrar à minha esposa por onde andei, sabendo antecipadamente que nada que deixamos feito existe. Muito tempo passou e muitas situações internas mudaram o povo e a região. Eu sempre que vinha a Bissau ficava hospedado no Hotel Internacional, e que tão bem me tratavam. Adorava ser da família, onde o meu vinho estava sempre fresco e as refeições sempre a horas. Outras, era o Hotel Portugal, que era maior mas eu não gostava por não ser tratado com aquele toque pessoal. Ficava na estrada do QG e perto do Hospital. Para quem estava em Co, ali para os lados de Bula e depois de arriscar a vida a atravessar o rio numa jangada (eu nem me quero lembrar) até sabia bem uma bazuca na esplanada debaixo das árvores lá para os lados da avenida principal e centro da cidade, onde estava o comércio, e lembro-me do Pinto & Pintozinho. Depois havia o cinema e aquele restaurante à beira do mar que se bem me lembro era o Tropical. Muitas coisa bonitas. Mas a que mais me chocou foi a partida em Maio de 1970, numa noite de vendaval que não mais acabava. Não sabia que gostava tanto daquela terra. Afinal eu ia regressar à família, esposa e filho, mas mesmo assim, eram meia noite e trinta quando largámos o cais, com uma ondulação fortíssima a que o Carvalho Araújo respondia como podia. Foi nessa altura, que o António Sala se lembrou de nos premiar com uma canção de despedida e boa viagem. Adeus Guiné. E logo ali, nas primeiras letras da canção, eu senti humidade na minha cara. Afinal , não era a chuva, mas as lagriminhas de saudade. Mas foi bom ajudar aquela gente. Foi uma experiência de que hoje me honro muito. Foi um viver diferente de uma vida que nunca saberia existir, se apesar de jovem, eu continuasse apenas a rotina dos serviços de contabilidade de uma empresa qualquer em Lisboa. Também eu tal como a Maria Antonieta, gostaria de voltar, mas sou realista. Não seria justo ir e sair de lá desiludido. Recordemos os pontos felizes da nossa vida na Guiné.
    Até sempre Guiné e muita sorte ao povo tão simples mas tão honesto e carinhoso.

    João G Bonifácio
    Ex-Fur Mil do S.A.M.
    Guine/Bissau 1968/70

  4. Valentim Oliveira Says:

    (ENFIM). Era uma tradição, e deve continuar a ser das Etnias e Raças das gentes da Guiné.

  5. Ângela Oliveira Têtê Says:

    Eu fico espantada é com o facto de Maria Antonieta e Bonifácio acharem que o que quer que foram fazer para a Guiné era para ajudar as populações locais. Tanta ajuda, tanta ajuda do governo português e nem na altura nem hoje estas grandes almas são capazes de acabar com esse surto de ignorância que é a excisão!!!
    Para Maria Antonieta tenho a dizer-lhe que é graça a mulheres como você que nunca se queixam que as coisas estão como estão, é tão bom ficar sentadinha no quentinho e ver a desgraça passar-se do lado de fora , não é?
    Se as europeias se queixam é porque algo não está bem, e as africanas fariam o mesmo se pudessem. Ou pensa que é porque lhe retiraram os órgãos genitais e que lhes disseram que está tudo muito bem que estas mulheres não sofrem?

    Você nem sabe do que fala: infecções urinárias, renais, vaginais, problemas psicológicos, dores crónicas, esterilidade! É disto que as mulheres europeias têm que tirar uma lição? Uma lição do “como ficar calada quando o teu marido te bate, porque se tivesses na Guiné era bem pior é isso?”

    São mulheres como você que me revoltam!

    E para Valentim de Oliveira, você devia de ter nascido na comunidade dos guerreiros de uma etnia da Nova Zelândia onde os homens cortavam o pénis em dois para sangrarem como a menstruação das mulheres! Ai, gostaria de falar de tradição consigo!!

  6. Helly Lopes Says:

    Concordo com o que disse Ângela Oliveira Têtê, e mesmo que a MGF seja a tradição desse país não deixa de ser uma barbárie. É realmente revoltante que hajam mulheres, principalmente de fora dessa cultura, que sejam a favor dessa pratica terrível que as priva de um direito básico. Como pode haver pessoas que relativizam e falam com saudosismo de uma coisa tão terrível?

  7. Ângela Oliveira Têtê e Helly Lopes, li os 3 primeiros comentários e quase não acreditei, o quarto quase me fez vomitar, mas finalmente os seus me lembraram que ainda existe gente boa e humana neste mundo.

  8. Paula da Costa Says:

    Parabéns à pessoa que colocou neste blogue este assunto.

    É assim mesmo Ângela. Houve muita gente que passou pela Guiné e nunca sentiu nada da vida daquelas gentes. Fica-se apenas a recordação das ostras, das esplanadas, dos hotéis e de outras coisas muito superficiais. Conheci gente na Guiné que por lá estava há dezenas e dezenas de anos e não dizia uma palavra em crioulo. Isso pouco importava para essas pessoas. Fui para a Guiné depois da independência e dessa Guiné que aqui se falou pouco ou quase nada reconheço.
    O fanado das meninas é uma atrocidade – e eu sei o que estou a dizer. Infelizmente tive que conviver com essa realidade e luto contra essa realidade ainda hoje. Há centenas de pessoas guineenses que luta todos os dias para acabar com essa prática.

    Sr. Valentim…. seria bom que o senhor se informasse sobre o assunto – em vez de dizer disparates! Santa ignorância!
    Sra Maria Antonieta, alguma vez falou com uma mulher que tivesse sido mutilada? Claro que não! Se tivesse falado com ela saberia a dor que vai na alma de uma mulher em que a sua sexualidade foi amputada!
    Aconselho às pessoas deste blogue fazerem uma visita ao site:

    http://www.stopfgmc.org/
    Paula da Costa

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